António Henrique Paiva Valente, nasceu em 11 de Setembro de 1950 no Bairro de Santa Bárbara, em 1967 começou a trabalhar na estação emissora do Clube Asas do Atlântico – CSB81, onde rapidamente chegou aos microfones da estação. O seu “Bom dia Açores” líder de audiências está no ar há mais de 40 anos, outro grande sucesso, numa altura em que a internet era uma miragem foi o “Entre Amigos”, altura em que recebia mais de 100 cartas por dia de ouvintes e admiradoras do programa e da sua inconfundível voz, pedir “discos” para familiares, amigos e amores.
Já na era da internet, o Asas é ouvido em todo o mundo, chamadas de pessoas que se levantavam às 5h00 da manhã nos Estados Unidos e Canadá e ligavam para o Valente a dar o Bom dia em directo no Bom dia Açores, da Suíça, França, Alemanha, Brasil e muitos outros países, chegavam também inúmeras chamadas e emails para o Valente.
A popularidade aquém e além fronteiras, pela sua cativante simplicidade, foi uma constante ao longo da sua vida.
As expressões “Ilha do Sol” e “Algarve dos Açores”, hoje conhecidas e utilizadas por todos, foram pela primeira vez proferidas nos microfones do Asas do Atlântico.
Mesmo quando o clube Asas do Atlântico, passou graves dificuldades financeiras, o Valente manteve a emissão para que a estação, não definha-se, arregaçou as mangas e trabalhou na reconstrução das instalações do Asas.
Sportinguista convicto, nunca perdia o fair play, quando o Sporting não ganhava e as chamadas vinham em tom provocatório. O desporto foi uma constante da sua juventude ou não fosse filho de treinador de futebol.
O reconhecimento em vida veio em 9 de Junho de 2014 quando foi agraciado com a Insígnia Autonómica de Mérito (com as categorias de Mérito Profissional, Mérito Industrial, Comercial e Agrícola e Mérito Cívico), é atribuída por “atos ou serviços meritórios praticados por cidadãos portugueses ou estrangeiros no exercício de quaisquer funções públicas ou privadas”. De acordo com a legislação que instituiu as insígnias honoríficas açorianas, são deveres dos agraciados, em todas as circunstâncias, “prestigiar a Região” e “dignificar a insígnia por todos os meios”.
A Ilha, a Região e o País perderam um grande homem que certamente será sempre lembrado.
O homem parte e deixa saudade, a obra e o exemplo perduram.
À família de luto as nossas sentidas condolências.