Igreja de São Pedro

Em memória de Manuel Chaves Carvalho

Do Livro “Igrejas e Ermidas de Santa Maria em Verso“

São Pedro é uma freguesia

Mas há quem diga até

Que uma outra igreja havia

Invocada a São José.

.

Com um aumento da comunidade

Como hoje se vê a prova

Por isso houve necessidade

De fazer uma igreja nova.

.

Foi gasto algum dinheiro

Para a sua construção

Na que existiu primeiro

Não cabia a população.

.

Por isso a Santa Igreja

Neste Santo dá testemunho

E o sei dia festeja

No dia vinte e nove de Junho.

.

Os moços e moças solteiras

Festejam na véspera do dia

Saltando algumas fogueiras

Todos com muita alegria.

.

Manuel Chaves Carvalho

 

Wikipédia:

Entre todas as igrejas da ilha, esta é a de que menos documentação se dispõe. A sua história remonta a uma pequena ermida sob a invocação de São Pedro, erguida no século XVI no lugar das Pedras de São Pedro, e que o cronista Gaspar Frutuoso refere ser uma das quatro ermidas existentes “acima da vila“, situada “mais adiante pelo caminho” da Igreja de Santo Antão.

Por volta de 1603, à época da visita pastoral do então bispo de Angra, D. Jerónimo Teixeira Cabral, este criou a paróquia de São Pedro, confirmada em 1611pelo soberano, Filipe II de Portugal. Foi seu primeiro vigário, o padre beneficiado da Matriz Paulo Andrade Velho. A cruz processional, em prata lavrada, foi uma oferta daquele soberano à Igreja Paroquial.

Embora nada se conheça da sua primitiva arquitectura, nem das alterações que sofreu, conforme informação de Manuel Monteiro Velho Arruda, existe na Torre do Tombo uma carta de Filipe III de Portugal, datada de 4 de Abril de 1623, atendendo a pedido do vigário e fregueses de São Pedro, autorizando o lançamento de uma finta para as obras nela declaradas necessárias, por ocasião da visita pastoral do bispo de Angra, D. Pedro da Costa.

Até 1698 esta primitiva ermida serviu de sede de paróquia, pois nesse ano, devido ao crescimento da população, levantou-se um novo templo, de maiores dimensões, e em local mais central, no lugar da Rosa Alta. O novo terreno foi adquirido a Belchior Luís Velho, com o recurso ao dinheiro de esmolas e a um empréstimo. As obras importam à época, em 255.375 réis. A nova igreja apresentava apenas uma nave, tendo a respectiva capela-mor um arco de grande valor artístico, forrado de talha e com as Armas Reais Portuguesas.

A atual feição do templo remonta à campanha de obras empreendida na segunda metade da década de 1950 pelo então pároco padre Agostinho de Almeida. Entre as benfeitorias então empreendidas destacam-se os painéis de azulejos da capela-mor e dos quadros da via-sacra com as respectivas molduras em pedra da Cré, o lambril na mesma pedra, o douramento do arco e dos altares, e o painel das Almas do Purgatório, aplicado no antigo altar do Senhor da Agonia.

Este templo teve importantes confrarias, dispondo dos rendimentos de propriedades que lhe foram deixadas por vários devotos. A paróquia possui ainda um passal dos curas que lhe deixou António José Pacheco, por testamento de 1761. Esse passal, segundo a tradição, seria a atual Copeira do Espírito Santo, nas traseiras da igreja e ao lado da atual casa paroquial.

Quando, em 18 de outubro de 1833 a Fazenda Nacional tomou posse do imóvel do Convento de São Francisco em Vila do Porto, o pároco de São Pedro, padre Bernardino José Toledo, superintendeu a repartição dos bens do convento, encontrando-se nesta igreja as imagens de São José e Sant’Ana (nos altares do lado oeste), uma urna dourada (utilizada na Quinta-Feira Santa), o mesão de madeira na sacristia, uma mesa em pedra de Cré e um crucifixo em marfim.

A igreja foi restaurada em 2007 com recursos da comunidade. Na ocasião foram suprimidos o painel das Almas do altar do Senhor da Agonia e o retábulo de madeira do altar da Senhora do Rosário, assim como a escada do púlpito. Proceceu-se à substituição do teto em madeira e do pavimento do templo.

No dia do padroeiro (29 de junho), celebra-se missa cantada, tendo lugar uma procissão, com o percurso, desde a Igreja até à Ribeira do Engenho, enfeitado de de tapetes de flores pelos fiéis.

Em 2011 a freguesia celebrou os seus 400 anos de existência