Sopas do Espírito Santo à moda de Santa Maria

As famosas sopas do Espírito Santo, que deliciam locais e forasteiros são bastante simples de confeccionar, no entanto as que são feitas nas nossas casas nunca igualam o paladar único das que se degustam nas copeiras.

Ingredientes:

Carne de vaca (vaca velha de preferência)

Banha de porco

Sal

Cebola

Repolho

Pão de trigo caseiro (duro)

Hortelã

Endro

Preparação:

Colocar a água a aquecer, nas panelas de ferro, sobre o lume de lenha; adicionar a carne de vaca previamente limpa do sebo e lavada em água quente. Temperar de sal, colocar uma cebola grande cortada em quartos ou várias cebolas mais pequenas, juntar algumas colheres de banha; colocar o repolho cortado em pedaços, apenas para dar paladar, pois quando a carne estiver cozida não haverá vestígio de repolho.

Enquanto a carne coze, parte-se o pão de trigo em fatias grossas e dispõe-se em  camadas nas terrinas, antigamente de barro ou loiça da Lagoa, hoje já quase extintas. Em cima do pão, coloca-se um ramo de hortelã e um ramo de endro.

Quando está cozida a carne, tira-se para fora, limpa-se de alguma gordura e parte-se em pequenas porções individuais, rectifica-se o tempero de sal, colocando-a depois em caldo quente para derreter o sal e manter a carne quente para ser servida. Com o caldo de cozer a carne, molham-se as sopas que em poucos minutos estão prontas a ser servidas.

Acompanhadas de um bom vinho de cheiro…e Viva o Espírito Santo….Vivóóóó!


PENTECOSTES: DA COLHEITA DO TRIGO AO NASCIMENTO DA IGREJA

Por: Francisco Dolores In “A União

Há cinquenta anos atrás, aqui nos Açores, as debulhadoras, que haviam substituído os tradicionais trilhos puxados por pachorrentas vacas, à volta das eiras de terra batida, também, começaram a sentir o fim de um ciclo que marcou a vida dos açorianos. Uma década depois foram abandonadas como obsoletas, pois não havia mais trigo para debulhar.

E os ajudantes dos Impérios de Santa Maria deixaram de aparecer, com as velhas sacas de linho, a esmolar nas eiras o trigo para as funções do Divino Espírito santo, como durante quinhentos anos o fizeram com a mesma finalidade. Importado de fora, vindo das Américas os pães de água e da mesa, bem como, as rosquilhas tiveram que se adaptar às novas farinha.

A Festa Judaica do Pentecostes, tipicamente das colheitas agrícolas do trigo (êxodo 23, 16), há cerca de dois mil anos transformou-se em dia do nascimento da Igreja, pelo “sopro de um forte vendaval” e as línguas de fogo, que se espalharam e foram poisar sobre cada um deles” ( Actos 2). As “armações de ramadas”, que nos adros das ermidas se montavam, trazem-nos um cheirinho hebraico da Festa das Tendas (Números 28 -29).

Com o cultivo dos cereais abandonado, e os braços dos que cultivavam a terra emigrados. E os bois desensinados do uso da canga, atrelada ao timão dos arados, no amanho das terras e dos “carros de bois”. Só que com o declínio do mundo rural, nestas ilhas a necessidade inata de gerações de celebrar os louvores do Divino Espírito Santo, supera todas as carências para que nos nossos dias nada falte, sobretudo aos mais velhos.

Nem a farinha das hóstias que os comungantes nas Missas, mesmo as de “coroação” é produzida nas nossas terras, feitas pasto, ou baldios à espera de melhor sorte. Os famintos é que estão a aumentar, tanto os de estômagos vazios e cintos apertados, como os carentes de uma fé viva, que os faça discípulos, mesmo nas adversidades da vida.

Tempos idos em que “pão alvo”, carne e vinho, só mesmo em dias de império, cujas copeiras abriam as portas a todos, mesmo aos que mal se benziam. As fomes não têm fé. Mas a Fé dos Cristãos, nascidos na Descida do Espírito Santo, não se pode ficar pelos templos, mas descer à partilha fraterna, com os irmãos mais carenciados de sempre.

Tempo oportuno, para olhar com esperança e gestos de amor, a maneira como se fazem as funções e bodos, por essas ilhas adiante. As funções e bodos não são para bajular quem quer  que seja. Mas para louvar o Divino Espírito Santo, nos velhos mendigos de sempre. Não apenas à mesa da Rainha Santa Isabel, mas na Igreja que somos e temos. Viva o Espírito Santo!

 


Festas do Espírito Santo em 2012

Calendários das Festas do Espírito Santo na Ilha de Santa Maria, durante o ano de 2012

27 de Maio – Império do Pentecostes na copeira da Mãe de Deus – Imperadores Manuel Lima e Angelina Costa

10 de Junho – Jantar na copeira dos Milagres, Nossa Senhora do Pilar – Imperador José Armando Sousa Braga

24 de Junho – Império das Crianças (São João) – Aeroporto de Santa Maria

15 de Julho – Jantar em Santa Bárbara – Imperador Manuel Moura.

15 de Julho – Império na copeira da Mãe de Deus – Imperadores José Humberto Coelho e Diamantina Moura Coelho

22 de Julho – Império  na copeira dos Milagres, Nossa Senhora do Pilar – Imperador António Cabral Bairos

29 de Julho – Império  na copeira dos Milagres, Nossa Senhora do Pilar – Imperatriz Goreti Reis

29 de Julho – Império Nossa Senhora do Monserrate – Imperador Ernesto Monteiro Melo

19 de Agosto – Império  na copeira dos Milagres, Nossa Senhora do Pilar

26 de Agosto – Jantar  na copeira dos Milagres, Nossa Senhora do Pilar

Uma informação do Baluarte no Facebook


Espírito Santo Motard

Dia 1 de Julho, o Clube Motard de Santa Maria organiza um Jantar do Espírito Santo, integrado no seu Plano de Actividades para 2012. Mas a actividade já começou a ser preparada com a ida ao mato, porque sem achas não há sopas. Citando o CMSM através do seu blogue…”Já em preparativos para actividade do dia 1 Julho, “Jantar do Espirito Santo” foi muito interessante verificar a enorme dedicação de inumeros sócios que fizeram questão de marcar presença, no acto de cortar/rachar lenha; o trabalho muito duro mas muito compensador.E claro as actividades não se desenvolvem sem a interação dos associados, aqui está um grande exemplo da palavra a associativismo;
Ficam aqui algumas interessantes imagens:”

Mais imagens no Blogue CMSM