Ermida de Nossa Senhora da Boa Morte

Em memória de Manuel Chaves Carvalho

Do Livro “Igrejas e Ermidas de Santa Maria em Verso“

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No sul foi feita uma Ermida

Da Senhora da Boa Morte

Que há muitos anos foi destruída

Por uma onda muito forte.

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Foi feita por Mateus Duarte

Metida dentro de uma vinha

Gastando alguma parte

Do muito dinheiro que tinha.

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Conhecido por toda a ilha

Era um homem fiel e justo

Deixou os seus bens à filha

E ao seu genro José Augusto.

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Uma pequena ermida ali havia

Só que as ondas do mar

Foram buscar um certo dia

A Santa ao seu altar.

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Foi salva por um tal, Simplício

Que muito bem sabia nadar

À custa de um sacrifício

A Santa conseguiu salvar.

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A Santa foi recolhida

Guardada com estimação

No Panasco foi feita outra Ermida

Com a ajuda da população.

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Muita gente à missa ia

Porque o povo era crente

E no Panasco havia

Naquele tempo muita gente.

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A Ermida que no Sul havia

Para o Panasco foi transferida

Mas ainda há em Santa Maria

Quem não conheça esta Ermida.

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A Senhora da Boa Morte

Teve de mudar de lugar

Porque teve a infeliz sorte

De ser levada pelo mar.

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Longe da ondas do mar está

Muitas pessoas à Ermida vão

Porque todos os anos há

Uma missa com leilão.

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Manuel de Chaves Carvalho

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Wikipédia:

A primitiva ermida foi erguida na Fajã Sul, junto ao mar, cercada por vinhas, por Mateus Duarte às suas expensas. Esse templo foi destruído no século XIX por uma forte ressaca marítima, tendo a imagem sido resgatada às ondas – sem qualquer dano – por um habitante de nome Simplício, com grande dificuldade.

Para abrigar essa imagem, foi erguida a atual ermida com recursos da população. As suas obras estariam concluídas em 1886, conforme inscrição epigráfica sobre a porta.