Mariense Pedro Braga dá música no Brasil

Pedro-BragaO mariense Pedro Braga, a viver no Brasil, não perde o contacto com a terra que o viu nascer, mas também não pára de fazer o que mais gosta, Música. Sem esquecer o seu Benfica e a sua família as outras paixões que cultiva diariamente.

No seu canal do youtube, publica os covers que faz e já são muitos, para os fãs e amigos, terem possibilidade de escutar a sua voz.

A trabalhar na terra do samba, Pedro acompanha tudo que se passa em Santa Maria e é colaborador assíduo do Clube Motard de Santa Maria, na área do design, sendo autor de quase todos os cartazes para os muitos eventos desta associação.

Também sempre mostrou  pronto para colaborar com o SMAZ, cujo logo é de sua autoria e a quem agradecemos por estar sempre disponível para nós.

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Subscreve o canal do youtube do Pedro Braga

Esta é uma singela homenagem que prestamos a um Amigo nosso e Amigo de Santa Maria.


Quadras Populares – 2 Irmãos [Parte 2]

Continuação…

Se não leu a primeira parte, CLIQUE AQUI para ler.

31

Ele no pranto dizia

Irmão desventurado

O assassino quem seria

Que te feriu de lado a lado.

32

Ao pescoço se abraçou

Beijando-lhe a face fria

Foi quando a ferida deitou

Sangue claro como o dia.

33

A ferida sangue deitou

Claro, puro e bastante

O povo um grito soltou

Este é que é o delinquente.

34

A autoridade o rodeou

E muitas perguntas lhe fez

Até que ele confessou

Como quem se confessa a Deus.

35

A verdade vou dizer

O crime vou confessar

Só para ao menos não ver

Outros por mim a pagar.

36

Eu não quero que ninguém

Passe este feio tormento

Que eu também não gostava

Por outro pagar inocnete.

37

Fui eu que o matei

Dei-lhe esta tão triste morte

Castigo mereço bem sei

Castigai-me pela mesma sorte.

38

Pelo céu te vou castigar

Maldito sem consciência

Numa prisão e vou fechar

Até que saia a sentença.

39

Foi morto e sepultado

Na terra sagrada e pura

O assassino foi fechado

Numa prisão escura.

40

Responder foi quem  assassinou

Sua pena foi sem perdão

O juiz o condenou

A vinte anos de prisão.

41

Ainda ficou na prisão

Que qualquer preso amaldiçoa

À espera de embarcação

Que o levasse para Lisboa.

42

A mãe sem alegria

À prisão o foi visitar

Chorando lhe disse, um dia

Filho tu vais ambarcar.

43

Ele chorando afirmou

Vendo a pobre mãe a chorar

Dizendo que não embarcava

Mamãe pode descansar.

44

A mãe o filho abraçou

Despediu-se mais animada

Mas muito penosa ficou

Em vê-lo numa prisão gelada.

45

Por este mundo sem abrigos

Eu vou passa-lo a penar

Adeus pátria, adeus amigos

Até que possa voltar.

46

Na flor da minha idade

Vou dar suspiros e ais

Adeus Adeus mãe querida

Talvez até nunca mais.

47

Quando chegou a Lisboa

Foi logo para a prisão

O carcereiro o fechou

Como quem fecha um cão

48

A prisão era horrenda

Qua ao preso causava medo

Era estreita e bolorenta

Vertia água pela parede.

49

Por um segredo maldito

Entrava água do mar

Passava o preso aflito

Sem ter leito e sem lar.

50

Ainda por maior castigo

Só lhe davam água e pão

Deitado por um postigo

Como quem dava a um cão.

51

No dia que embarcou

Umas tristes quadras fez

Com tristeza à mão mandou

Dizendo-lhe um ultimo Adeus.

52

A carta dizia assim

Perdoa-me mamãe do que fiz

Aceita saudades sem fim

Deste seu filho infeliz.

53

Saiu da ilha o vapor

Com ordem do capitão

O preso cheio de dor

Fez triste invocação.

54

Adeus minha mãe querida

Dizia chorando assim

Vou penar para toda a vida

Talvez seja o meu fim.

55

Ocultei-lhe minha saída

Do meu embarque maldito

Para não deixar ferido

O seu coração aflito.

56

Eu creio que fiz bem assim

Ocultar minha partida

Ia ser penoso para mim

A nossa triste despedida.

57

Causava dor no meu coração

Dizer onde ele dormiu

Passava a noite no chão

No negro cimento frio.

58

De todos era despezado

Nem o cabelo cortava

Parecia um velho coitada

Veja lá como ele estava.

59

Dizia o preso infeliz

Chorando na solidão

Estou pagando o que fiz

Ao meu querido irmão.

60

Não sei quem me deu

Este maldito destino

Irmão quando te matei

Fiz de mim um assassino.

 

Continua…

 


Quadras Populares – 2 Irmãos [Parte 1]

Ao longo dos próximos meses, vamos transcrever várias quadras populares, com muitos anos de existência, algumas baseadas em casos verídicos. Para que se preservem no tempo, estes textos que andaram de mão em mão e eram lidos e passados adiante, muitas vezes de geração em geração.

 

2 Irmãos

1

Jesus dai-me inteligência

Saber e boa memória

Para versar com paciência

Esta sagrada história

2

Esta cena vou versar

Com pé e não ansioso

É só para exemplo dar

A algum que seja invejoso.

3

A inveja matou Caim

Por ser mau e traiçoeiro

O mesmo sucedeu assim

A um malvado na terceira.

4

Na Terceira 2 manos

Para uma donzela olhavam

Um com vinte e dois anos

Outro dezoito anos contava.

5

Este que dezoito contava

Era quem a jovem queria

Para o outro não olhava

Nem seque vê-lo podia.

6

Como a jovem era bonita

O mais velho sempre tentou

Mandou-lhe uma carta escrita

Mas ela não aceitou.

7

A inveja lhe perseguia

Como ela não queria aceitar

Para se vingar um dia

Pelo mano foi esperar.

8

O seu rosto mesmo parecia

De uma assassino malvado

Numa noite turva e fria

Esperou-o num descampado.

9

Ali algum tempo passou.

Emboscado num arvoredo

Até que o infeliz chegou

Aquele profundo segredo.

10

Consigo ia falando

Sem mais nada pensar

Parece-me que estais gozando

Que eu mais logo hei-de gozar.

11

Nesta triste ocasião

Um vulto se atravessou

Era o seu cruel irmão

Que o seu corpo amarrou.

12

Tu aqui me vais pagar

Tudo quanto me tens feito

Agora te vou matar

Para viver satisfeito.

13

O infeliz ajoelhou

Pedindo a sua sorte

Deixa-me ver quem me criou

Depois então dai-me a morte.

14

Puxou uma faca comprida

E no peito a cravou

Abriu-lhe uma feia ferida

Que ele em sangue se escoou.

15

Receando sem mais vida

Disse em voz atribulada

Adeus Adeus mãe querida

Adeus saudosa amada.

16

Sem sangue caiu no chão

Os olhos ao céu levantou

Com dores e aflição

Num triste ai expirou.

17

Disse o malvado consigo

Depois de o ter assassinado

Já matei meu inimigo

Agora estou descansado

18

Sempre consegui matar

Dizia o malvado assim

Agora é que vou gozar

Aquele formoso jardim.

19

Já consegui o que queria

O que tinha intencionado

Vou para minha moradia

Deitar-me bem descansado.

20

Agora vou atravessar

Caminhos que eu não sei

Para bem de ocultar

O crime que pratiquei.

21

Estas palavras murmurando

Um vulto de negro viu

Que se vinha aproximando

Foi então quando fugiu.

22

Essa dita sombra escura

Com seu manto em couro até

Era uma bela criatura

Um velhote e rico viajante.

23

O velho se aproximou

Do morto seu conhecido

Cheio de horror ficou

Vendo-lhe sangue e ferido.

24

O velho com caridade

Vendo morto como estava

Foi dar parte à autoridade

Contando o que se passava.

25

Espalhou-se esta notícia

Por toda a freguesia

Foi o povo e a poilicia

Aonde o morto jazia.

26

Ao pé do morto chegaram

Disse o povo sem destino

Este pobre assassinaram

Quem seria o assassino.

27

Diziam a mesma sorte

Cada qual para seu lado

Quem lhe deu a negra morte

Precisava ser desgraçado.

28

Respondeu a autoridade

Para o povo se virou

Que triste infelicidade

Vai passar quem o matou.

29

Agora vamos sepultar

Este morto honrado e puro

Depois de o enterrar

Vamos então ao futuro.

30

Fizeram-lhe um caixão

Já o iam enterrar

Quando viram o irmão

Num pranto fingindo chorar.

 

CONTINUA…

 


Põe-te a Pau com António Valente

O convidado especial do próximo “Põe-te a Pau”, da RTP/Açores, é o radialista mariense António Valente.

José Maria Pacheco “Tia Maria do Nordeste”, vai entrevistar ao seu estilo único, o homem que há 40 anos mantém no ar o “Bom dia Açores” do Clube Asas do Atlântico.

Não perca dia 31 de Abril, pelas 21h00 na RTP/Açores, esta conversa entre “gigantes” na arte da comunicação.

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