Quadras Populares – 2 Irmãos [Parte 2]

Continuação…

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31

Ele no pranto dizia

Irmão desventurado

O assassino quem seria

Que te feriu de lado a lado.

32

Ao pescoço se abraçou

Beijando-lhe a face fria

Foi quando a ferida deitou

Sangue claro como o dia.

33

A ferida sangue deitou

Claro, puro e bastante

O povo um grito soltou

Este é que é o delinquente.

34

A autoridade o rodeou

E muitas perguntas lhe fez

Até que ele confessou

Como quem se confessa a Deus.

35

A verdade vou dizer

O crime vou confessar

Só para ao menos não ver

Outros por mim a pagar.

36

Eu não quero que ninguém

Passe este feio tormento

Que eu também não gostava

Por outro pagar inocnete.

37

Fui eu que o matei

Dei-lhe esta tão triste morte

Castigo mereço bem sei

Castigai-me pela mesma sorte.

38

Pelo céu te vou castigar

Maldito sem consciência

Numa prisão e vou fechar

Até que saia a sentença.

39

Foi morto e sepultado

Na terra sagrada e pura

O assassino foi fechado

Numa prisão escura.

40

Responder foi quem  assassinou

Sua pena foi sem perdão

O juiz o condenou

A vinte anos de prisão.

41

Ainda ficou na prisão

Que qualquer preso amaldiçoa

À espera de embarcação

Que o levasse para Lisboa.

42

A mãe sem alegria

À prisão o foi visitar

Chorando lhe disse, um dia

Filho tu vais ambarcar.

43

Ele chorando afirmou

Vendo a pobre mãe a chorar

Dizendo que não embarcava

Mamãe pode descansar.

44

A mãe o filho abraçou

Despediu-se mais animada

Mas muito penosa ficou

Em vê-lo numa prisão gelada.

45

Por este mundo sem abrigos

Eu vou passa-lo a penar

Adeus pátria, adeus amigos

Até que possa voltar.

46

Na flor da minha idade

Vou dar suspiros e ais

Adeus Adeus mãe querida

Talvez até nunca mais.

47

Quando chegou a Lisboa

Foi logo para a prisão

O carcereiro o fechou

Como quem fecha um cão

48

A prisão era horrenda

Qua ao preso causava medo

Era estreita e bolorenta

Vertia água pela parede.

49

Por um segredo maldito

Entrava água do mar

Passava o preso aflito

Sem ter leito e sem lar.

50

Ainda por maior castigo

Só lhe davam água e pão

Deitado por um postigo

Como quem dava a um cão.

51

No dia que embarcou

Umas tristes quadras fez

Com tristeza à mão mandou

Dizendo-lhe um ultimo Adeus.

52

A carta dizia assim

Perdoa-me mamãe do que fiz

Aceita saudades sem fim

Deste seu filho infeliz.

53

Saiu da ilha o vapor

Com ordem do capitão

O preso cheio de dor

Fez triste invocação.

54

Adeus minha mãe querida

Dizia chorando assim

Vou penar para toda a vida

Talvez seja o meu fim.

55

Ocultei-lhe minha saída

Do meu embarque maldito

Para não deixar ferido

O seu coração aflito.

56

Eu creio que fiz bem assim

Ocultar minha partida

Ia ser penoso para mim

A nossa triste despedida.

57

Causava dor no meu coração

Dizer onde ele dormiu

Passava a noite no chão

No negro cimento frio.

58

De todos era despezado

Nem o cabelo cortava

Parecia um velho coitada

Veja lá como ele estava.

59

Dizia o preso infeliz

Chorando na solidão

Estou pagando o que fiz

Ao meu querido irmão.

60

Não sei quem me deu

Este maldito destino

Irmão quando te matei

Fiz de mim um assassino.

 

Continua…

 


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