Em memória de Manuel Chaves Carvalho
Do Livro “Igrejas e Ermidas de Santa Maria em Verso“
Na Glória há uma Ermida
Onde está Nossa Senhora
Não era para ser construída
No lugar que está agora.
.
Mas ainda há quem conte
Que a queriam ali perto
No outeiro da Fonte
Só que não deu certo.
.
Do Monte Gordo traziam
As pedras de uma pedreira
E de manhã apareciam
Onde havia uma roseira.
.
No lugar onde está agora
Onde uma nascente tinha
No sítio onde Nossa Senhora
Apareceu a uma pastorinha.
.
Para dizer ao padre da freguesia
Que a Virgem estava ofendida
Era ali que ela queria
Que fosse feita a sua Ermida.
.
O padre não acreditou
Na segunda aparição
Nossa Senhora assinalou
Com três dedos de uma mão.
.
E quando o padre na testa viu
O sinal de Nossa Senhora
A Ermida construíu
No lugar onde está agora.
.
No meio da sacristia há
Água que vem de uma nascente
Dizem que essa água dá
A cura a muita gente.
.
Quem tinha muita fé levava
Toda a água que queria
Quem não tinha fé encontrava
A poça sempre vazia.
.
Por muita gente é bebida
Essa água tão saborosa
Por dar a cura é conhecida
Por água miraculosa.
.
Manuel Chaves Carvalho
.
Informação da Wikipédia:
Manuel Monteiro Velho Arruda regista que, a 8 de março de 1617, ano imediato do assalto de piratas da Barbária à ilha, que nela se demoraram oito dias, e dela levaram 222 pessoas, o Sargento-mor Baltazar Velho de Andrade e sua esposa, Margarida de Souza, por escritura pública feita nas notas do tabelião Manuel de Andrade Velho, doaram para se fazer a igreja vinte alqueires de terra nas lombas da Vila do Porto que foram de Diogo Fernandes para a sua fábrica “pela devoção de se fazer hua ermida e fazer no limite de Santo Espírito, aonde está uma cruz posta, a qual se quer novamente fazer“. Aquele historiador acredita que por aquele sítio pudesse haver primitivamente uma ermida de que se perdeu notícia, ou que a cruz fora ali posta depois da narração da pastora, ou por ambos os motivos.
A atual ermida foi erguida entre o final do século XVII e o alvorecer do século XVIII.
Quando da visita do padre António Moniz de Medeiros, vigário da Igreja Paroquial de Nossa Senhora das Neves, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, em 6 de Agosto de 1704, este registou:
- “Visitei a Hermida de Nossa Senhora da Glória q. nesta freguezia por tradisam bem constante mandou a Senhora levantar falando à pastorinha tam esquecido princípio q. esta arruinando e porq lhe haviam subnegado o pequeno Patrimonio q. ja lhe fiqua corrente e oito mil reis dos corridos. Mando que com eles se repare logo a empena de pedra e cal e as portas e o que chegar acodindo ao mais preciso the haver algum cristam q. dê ou tire um pedido para se acabar o teto, no caso que Fernando de Loura [Bettencourt] falte com a esmola que tem permitida sobre o que lhe tenho escrito.
- Aos Reverendos parochos encomendo a direcção com q. aplicando alguns meses se repare este milagroso templo; mando q. não como autentico mas como informe da fé humana escrevam os milagres de que tiverem notícia q. p.ª Gloria do Snr. obra ali por sua mãy Santissima talvez para despertar a pouca fé dos moradores, pois onde ela falta hé q. sam os milagres necessários.
Sobre a substituição do altar-mor, Velho Arruda complementa que, nas visitas posteriores refere-se um devoto que daria certa quantia em dinheiro para a reconstrução do altar e, sendo este de pedra do Monte Gordo, em tudo semelhante ao da Ermida de Nossa Senhora do Pilar, executado por determinação de Fernando de Loura Bettencourt junto de sua casa e quinta na Faneca, conjectura que tenha sido por este oferecido ou fosse por ele custeado, com a avultada esmola referida pelo padre António Moniz de Medeiros.
De qualquer modo, quando da visita feita pelo vigário da Matriz, padre Inácio Coelho de Menezes, em 1726, este referiu “(…) que o altar e a igreja estavam concertados de novo e feito o retábulo de pedra à custa de um devoto.”
Com o aumento da população da freguesia do Santo Espírito no século XVIII, serviu de curato sufragâneo, embora só por autoridade eclesiástica.
A tradição atribui-lhe diversos milagres em virtude de uma fonte medicinal que lhe corre na sacristia.






