Igreja de Nossa Senhora da Purificação

Em memória de Manuel Chaves Carvalho

Do Livro “Igrejas e Ermidas de Santa Maria em Verso“

Nossa Senhora da Purificação

Fica no centro da freguesia

É o melhor templo de oração

Que há em Santa Maria.

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Havia uma outra igreja

Perto do moinho de vento

Não há quem vivo esteja

Que dela tenha conhecimento.

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Por Espírito Santo era chamada

Há quem siga no entanto

Que nessa igreja foi rezada

A primeira missa do Espírito Santo.

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Onde o Espírito Santo baixou

Há muitos anos outrora

Só mais tarde é que mudou

Para o nome que tem agora.

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Trinta e seis padres rezaram

Na igreja da Purificação

Alguns muito trabalharam

Para bem da população.

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O padre Machado contribuiu

Para a população local

Porque foi ele que construiu

A Casa Paroquial.

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A Banda Espirituense

É a única banda musical

A sua fundação pertence

A Joaquim Chaves Cabral.

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Quem na bondade deu prova

Foi o Senhor padre João

Fez a bancada nova

Para a Igreja da Purificação.

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Há um museu na freguesia

aberto ao pessoal

Iniciativa do padre José Maria

Que arranjou algum material.

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O padre Virgínio Lopes Tavares

Arranjou algum dinheiro

Com a ajuda de alguns populares

Mandou construir o cruzeiro.

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O cruzeiro que foi erguido

Tem sessenta anos de existência

Que também ficou conhecido

Pelo Cruzeiro da Indepenência.

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O padre Júlio já falecido

Num acidente de viação

Que jamais será esquecido

Pela nossa população.

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A igreja da Purificação

Teve certa melhoria

Graças à população

Desta linda freguesia.

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O momento foi inaugurado

Quem arranjou o dinheiro

Os padres José Paulo Machado,

Adriano e Jacinto Monteiro.

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Muito eles trabalharam

Foi um trabalho cansativo

Nesta obra colaboraram

Os do Conselho Administrativo.

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Um conselho que foi formado

Precisamente por seis

O Padre Paulo Machado,

Duarte Braga e José dos Reis.

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Fazem parte deste Conselho

Para resolver casos graves

Zélia Chaves e Lucinda Coelho

E José Humberto de Chaves.

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Na inauguração estiveram presentes

Toda a população local

E os Senhores Presidentes

Da Câmara e Governo Regional.

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As Entidades de Santa Maria

Algumas Senhoras e Senhores

As Juntas de Freguesia

E o Bispo dos Açores.

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Pelo Bispo foi benzida

A igreja desta freguesia

Que jamais será esquecida

Pelo povo de Santa Maria.

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Manuel Chaves Carvalho

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Wikipédia:

A sua primitiva edificação remonta ao século XVI, sob a invocação de Nossa Senhora da Purificação, conforme consta de todos os seus documentos conhecidos. É anterior a 1537, uma vez que, no testamento de João Tomé, o “Amo”, datado de 13 de Março daquele ano, já se fala da Casa de Nossa Senhora da Purificação.

Inicialmente, a sede da paróquia esteve na Ermida de Santo António. A atual igreja foi erguida mais tarde, mudando-se para ela a referida paróquia. Encontra-se referida por Gaspar Frutuoso:

Saindo nesta Fajã para o Norte, nas terras feitas ao Campo da Macela, por a haver nele, chama-se ali Santo Espírito, onde dizem os antigos que na Ilha se disse a primeira missa do Espírito Santo, quando entraram nela e dali ficou a nomear-se ainda hoje em dia esta freguesia de Santo Espírito, sendo ela depois edificada, como agora está, da invocação da Purificação de Nossa Senhora, sem perder aquele nome antigo; (…).

O seu primeiro Vigário, foi o Padre Janeanes e o segundo, Cristóvão Lopes, que foi apresentado a 13 de setembro de 1570. Neste período, Domingos Fernandes Faleiro e sua esposa, Margarida Afonso, grandes proprietários que residiam em Santo Espírito, fizeram erguer a Capela de São Pedro.

O altar do lado da epístola foi erguido em 1698 pelo então vigário, padre António Soares Ferreira, destinado à confraria do Santíssimo Sacramento, posteriormente acrescentado por volta de 1760 pelo então vigário, padre António José Álvares Cabral.

Mais tarde, já no século XVIII, o templo foi acrescentado, como se depreende dos documentos da visita do licenciado Pedro Moniz da Costa, vigário da Igreja Paroquial de Nossa Senhora das Neves, de Ponta Delgada, na Ilha de São Miguel, em 9 de Agosto de 1753, sendo vigário o padre António José Alves Cabral:

Reparei que esta igreja se acha muito arruinada pelo tecto e notavelmente pequena, q não recebe metade do povo por ser numeroso por cuja causa he aos fregueses muito onoroso, principalmente no tempo de inverno e chuvas, ouvirem missa no adro, e necessita de se acrescentar mais seis côvados e de rectificar o tecto antes que experimente alguma notavel ruyna e porq. para estas obras não basta o limitado rendimento da fabrica e sejão obrigados os fregueses a repara-la; mando que daqui em diante paguem os trabalhadores de esmola a dita fabrica quarenta reis, e os oficiais a oitenta reis, e os lavradores pagarão as suas pensões a trigo na forma do costume athe agora e porque também necessita de reforma no lageamento da ditta igreja mando que os que tiverem sepulturas próprias na dita igreja o Redº Vigº os fará notificar para dentro de dois mezes depois do acrescentamento da ditta Igreja e concerto della retifiquem as dittas sepulturas [sob] pena de que o não fazendo assim perderem o domínio dellas.”

Quando da visita pastoral do então bispo da Diocese de Angra, D. António Caetano da Rocha, em 28 de Março de 1766, a igreja já estava aumentada. Era Vigário, nesse tempo, o padre António José Alves Cabral que dirigiu tais obras, sendo a Confraria do Santíssimo a que mais contribuiu para as mesmas.

Na ampliação do templo conservou-se o mesmo frontispício e a parte externa da cúpula da torre foi revestida de fragmentos de azulejos, postos a esmo, hoje de grande valor histórico, e que se acredita terem vindo de uma ermida em honra do Espírito Santo, construída em local próximo.

Durante muitos anos os vigários desta paróquia queixaram-se dos fracos ordenados que tinham, realmente inferiores aos das demais paróquias da ilha. No entanto, uma tal anomalia só teve solução em 1853.

Os altares das naves colaterais apresentam, nos fechos dos arcos, as datas de 1909 (à direita) e 1921 (à esquerda).

Encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto nº 41.191, de 18 de Julho de 1957, publicado no Diário do Governo na mesma data.

Em 18 de junho de 2000, a igreja foi reconsagrada, pelo bispo da Diocese, D. António de Sousa Braga, conforme placa comemorativa.

A festa de Santo António-Santo Espírito acontece, anualmente, a 3 de outubro.